Mateus Rodrigues Carvalho, de apenas 8 anos, foi morto com tiro de fuzil ontem de manhã, na Favela Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. O disparo entrou pelo pescoço e desfigurou o rosto do menino, que foi atingido no portão de casa, quando saía para comprar pão. A família responsabiliza a PM pelo crime, mas o comando da corporação negou a acusação e informou que o menino foi baleado durante tiroteio entre traficantes rivais.
Segundo a família, o crime ocorreu por volta das 7h40. A mãe de Mateus, Gracilene Rodrigues dos Santos, 33 anos, contou que o filho foi para a escola, mas voltou para casa porque só teria aula às 11h30. "Ele tinha acabado de tirar o uniforme e pedimos que fosse comprar pão. Assim que saiu, ouvimos um barulho. Quando fui ver, encontrei meu menino morto. O que fizeram com o meu filho? Ele só tinha oito aninhos. A polícia matou o meu filho", esbravejou.
A morte da criança revoltou os moradores da Baixa do Sapateiro, que fecharam a Linha Amarela por 30 minutos e queimaram um carro como protesto. Eles tentaram interditar também o trânsito na Linha Vermelha, próximo ao acesso à Linha Amarela, mas foram contidos por PMs, que atiraram para o alto e usaram bombas de efeito moral contra os manifestantes. Suspeito de matar um policial federal, Rosemberg da Silva, o Berg, foi preso na confusão.
Lula visita o Alemão
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu ontem algumas horas de calma ao Complexo do Alemão, uma das regiões mais violentas do Rio. Lula visitou as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Avenida Itaoca, no Morro do Adeus, e conheceu os prédios que estão sendo construídos para abrigar as famílias que serão realocadas durante as obras.
O trânsito na Avenida Itaoca ficou parcialmente interrompido e restrito para carros oficiais e da imprensa. Duzentos policiais militares reforçaram a segurança no entorno da comunidade. Havia, ainda, homens da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Força Nacional. Por onde se andava, moradores elogiavam, em tom de crítica, a aparente calmaria. "O presidente podia vir aqui todo dia. As ruas estão vazias, não tem confusão. Até o bueiro que estava entupido havia três meses foi consertado hoje (ontem) de manhã", ironizou a ambulante Amanda Silveira Abreu, 34 anos.
Ao discursar para os moradores, Lula foi aplaudido diversas vezes, uma delas quando disse que o Estado tem culpa de o jovem pobre virar bandido. "Quando a gente vê um jovem de 25 anos sendo preso, esse jovem é vítima das políticas econômicas, das políticas sociais, das políticas educacionais. O Estado tem culpa do jovem ter virado bandido", afirmou o presidente.
O governador Sérgio Cabral e o prefeito eleito do Rio, Eduardo Paes, acompanharam Lula na visita ao Alemão. O grupo de funk Gaiola das Popozudas fez show para o público presente ao evento, e a vocalista, Valesca, aproveitou para cumprimentar e abraçar Lula. "O dia de hoje ficará para sempre na minha lembrança. Foi um privilégio estar ao lado da autoridade máxima do País como representante do ritmo que defendo, o funk", disse Valesca.