Operação da Polícia Civil realizada ontem na Favela do Jacarezinho, Zona Norte do Rio, terminou com um bandido morto e três presos. Os agentes apreenderam drogas, armas, munição de vários calibres e uma granada, mas o inusitado da ação ficou por conta da localização do que parece ser um salão de estética e beleza do tráfico, que escondia até aparelho de depilação a laser avaliado em R$ 80 mil.
O salão funcionava ao lado de pequena loja de distribuição de bebidas, na Rua Amaro Rangel. No local, os policiais encontraram, além de pequena quantidade de maconha e cocaína, o equipamento para depilação com laser, que tinha sido roubado dia 15, em Todos os Santos.
"Foi muita sorte, mas tinha esperança de recuperar meu aparelho. Comprei em 12 vezes e ainda estava pagando por ele. Foi um alívio", comemorou a dona do aparelho, que trabalha como esteticista.
Seis homens armados
A vítima foi rendida por seis homens armados, que abordaram seu Fiat Idea com a máquina dentro. O carro e parte do material de trabalho da mulher já tinham sido recuperados quarta-feira, durante operação na vizinha Favela de Manguinhos.
Outra enfermaria do tráfico
Um dia depois de 'estourar' uma enfermaria do tráfico em Manguinhos, a Polícia Civil descobriu ontem, na Favela do Jacarezinho, outro local usado para tratar marginais feridos em tiroteios. Em um pequeno barraco na Rua da Paz, agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) apreenderam remédios e material de primeiros socorros.
Em um dos cômodos do barraco, havia colchão, lençol e travesseiro, que seriam uma espécie de 'leito', pronto para atender, por exemplo, um baleado. Na cozinha, os agentes encontraram antibióticos, antiinflamatórios, analgésicos, seringas, luvas cirúrgicas, gazes, esparadrapos e tubos para aplicação de soro. Em outro quarto, estavam muitas roupas sujas, sapatos espalhados e um ventilador.
Equipe médica na mira
Duas enfermeiras e um médico, que segundo a polícia trabalham atendendo os feridos da facção criminosa Comando Vermelho em Manguinhos, já vêm sendo investigados. Segundo o delegado Marcos Cipriano, diretor da Polinter, é possível que os mesmos profissionais também atuassem no Jacarezinho e nos complexos de favelas do Alemão e da Penha. "Além de os dois morros pertencerem ao Comando Vermelho, eles ficam próximos, e qualquer pessoa baleada, que não possa dar entrada em um hospital, pode ser levada para esses mini-hospitais", disse Cipriano.
De acordo com o delegado, as enfermeiras e o médico poderão responder por formação de quadrilha e associação para o tráfico de drogas.
Botijão de gás virou esconderijo
A operação no Jacarezinho foi farta em apreensões: no depósito de bebidas da Rua Amaro Rangel, vizinho ao salão de beleza do tráfico, os policiais encontraram, escondidos por caixas de cerveja e refrigerante, cinco quilos de maconha prensada, três mil trouxinhas da droga, 200 pedras de crack e dezenas de peças de motos roubadas.
A polícia não conseguiu localizar o proprietário do estabelecimento, mas acredita que o verdadeiro dono do depósito - e do salão de beleza - seja o traficante Nilsson Roger da Silva de Freitas, o Roger do Jacarezinho, que é apontado como um dos maiores distribuidores de drogas do Rio.
Na Rua São Luiz, os policiais apreenderam um botijão de gás com fundo falso. Dentro do artefato, estavam escondidas caixas de munição para armas de vários calibres, como fuzis, pistolas e escopetas, uma granada e munição para metralhadora antiaérea ponto 50, capaz de derrubar até um avião. Ao revistar a mochila de um homem que passava pelo local, os agentes encontraram mais maconha e pedras de crack. Ele foi preso.