Durante pouco mais de cinco horas, três traficantes mantiveram pai e filha reféns na Favela do Aço, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, mas acabaram se entregando após tensa negociação com policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope).
Fábio Luiz Justino de Ávila, o Barriga, apontado como gerente do tráfico de drogas na comunidade; Wallace de Souza dos Santos, 22 anos; e Ricardo Souza de Vasconcelos, 21, invadiram a residência do barbeiro Cosme da Conceição Casemiro, 36, para tentar escapar de cerco feito por oito policiais do 27ª BPM (Santa Cruz), por volta das 11h. Barriga chegou a usar a filha de Cosme, de apenas 13 anos, como escudo.
Esposas na negociação
A PM chamou negociadores e atiradores de elite do Bope, mas por volta das 14h o clima ficou tenso, quando os bandidos exigiram a presença da imprensa para libertar os reféns. Para tentar a rendição do trio, as mulheres de Barriga, Lúcia Irene Funes de Ávila, 26, e de Ricardo, Bruna Rosalina Nunes, 21, entraram na casa, mas acabaram sendo também mantidas como reféns.
O drama só acabou às 16h, com a rendição dos bandidos, quando a mulher de Wallace, Natália Martins, 21, que está grávida de cinco meses de gêmeos, chegou ao local. Com o trio, havia dois radiotransmissores, dois celulares, duas pistolas e 1.245 papelotes de cocaína.
Bope engole o Jacaré
Os polícias Civil e Militar fizeram ontem operações de combate ao tráfico de drogas no Morro do Urubu, em Pilares, e na Favela do Jacarezinho, no Jacaré, ambas na Zona Norte do Rio. Dois bandidos morreram em confronto, e drogas, munição e arma foram apreendidas.
Os PMs do Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegaram cedo ao Jacarezinho, que é dominado pela facção Comando Vermelho (CV), e houve intenso tiroteio. A operação durou mais de seis horas. Muitas mães evitaram levar seus filhos para a escola, e motoristas que passavam pela Avenida Dom Hélder Câmara chegaram a voltar de marcha a ré para evitar passar próximo ao confronto.
Na Avenida Esperança, os policiais apreenderam 487 pedras de crack, 1.800 trouxinhas de maconha e 25 sacolés de cocaína. Havia ainda folhas impressas com a fotografia do jogador de futebol Ronaldo - os traficantes usaram o nome do Fenômeno para apelidar a carga de crack que é vendida na favela.
Na localidade conhecida como Praça 15, os policiais encontraram um grupo de bandidos, e o gerente do tráfico no Jacarezinho, identificado apenas como Magrinho, foi morto em troca de tiros. Com ele, os policiais apreenderam uma pistola. Os criminosos que conseguiram fugir abandonaram um colete à prova de balas camuflado, material para embalar drogas e 13 cápsulas para pistola calibre 9 mm.
Já o Morro do Urubu foi alvo de operação pela Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), que ocupou parte da favela e apreendeu mil pedras de crack, um quilo da droga em sua forma bruta e 600 papelotes de cocaína, além de 50 munições de metralhadora ponto 30, capazes de perfurar o Caveirão.